Vício em 'bets' e jogos de aposta online afetam famílias, mercado de trabalho e economia

  • 05/04/2025
(Foto: Reprodução)
Jogos de apostas online têm atraído milhões de brasileiros, mas, para muitos, essa prática virou um problema sério, uma mãe relatou que a filha teve R$ 200 mil em prejuízos e outra mulher falou que o casamento terminou por conta do vício do marido. Plataformas de aposta na internet geram dependência e impactam a economia brasileira Cores vibrantes, músicas envolventes e promessas de dinheiro fácil. Os jogos de apostas online têm atraído milhões de brasileiros, mas, para muitos, essa prática virou um problema sério. O impacto está sendo sentido pelas famílias, no mercado de trabalho e na economia. Uma mãe, que prefere não se identificar, viu a filha perder tudo para as apostas. “Ela precisava de material para a faculdade e pedia dinheiro para mim e para o pai ao mesmo tempo. Achei estranho e comecei a investigar”, conta. Depois de um ano e meio, veio a descoberta: a jovem estava viciada e deixou até de se alimentar para sustentar o jogo. O impacto financeiro foi devastador, o prejuízo, segundo a mãe, passou de R$ 200 mil. Apostas online: quando a diversão vira vício OMS classifica a dependência em jogos como um transtorno grave Inter TV/Reprodução Desde 2018, as apostas esportivas online são legalizadas no Brasil. Em 2023, uma nova regulamentação foi aprovada, mas o número de pessoas viciadas só cresceu. O psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alerta para os perigos desse hábito. “As pessoas começam achando que vão ganhar dinheiro fácil e passam horas apostando. Isso afeta o funcionamento do cérebro de forma semelhante às drogas e ao álcool”, explica. Com aplicativos disponíveis na palma da mão, o comportamento dos jogadores compulsivos preocupa especialistas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o vício em apostas como um transtorno grave. “O problema começa quando a pessoa deixa de lado atividades do dia a dia: não presta atenção em quem chega em casa, falha no trabalho… Assim, horas e horas do dia passam a ser dedicadas exclusivamente ao jogo”, diz Antônio Geraldo. A psicóloga Aldelúcia Castro reforça: “Por ver um youtuber ou alguém comentando sobre ganhos fáceis, a pessoa acredita que também terá sucesso. As apostas ativam a dopamina, o neurotransmissor do prazer, e podem substituir atividades saudáveis, como sair com amigos ou ver a família, por um comportamento compulsivo.” Os impactos não se limitam ao jogador. Uma mulher, que prefere não se identificar, viu o casamento ruir após o marido se perder nas apostas. " Ele passava mais tempo jogando e deixava de lado as tarefas que eram importantes, até a profissão dele de lado para poder ficar jogando. Um gasto descontrolado no joguinho a ponto de deixar cartões acumularem e se endividar de uma tal maneira de [conseguir] pagar só o mínimo do cartão porque começou a ter um gasto no jogo muito grande." Impacto na economia: bilhões em prejuízo Sites de apostas são legalizados no Brasil desde 2018 Inter TV/Reprodução A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que, só em 2024, o setor varejista perdeu R$ 109 bilhões devido às apostas. Em Minas Gerais, a perda pode chegar a R$ 30 bilhões, reduzindo o PIB estadual em R$ 18 bilhões, segundo a entidade. Felipe Tavares, economista-chefe da CNC, cita que esses jogos afetam a produtividade das pessoas no trabalho, já que há relatos de funcionários jogando durante o expediente. O Ministério da Previdência Social registrou 402 concessões de benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos relacionados ao jogo em 2024, sendo 61 em Minas Gerais. “A renda das famílias está sendo apertada dia após dia e uma decisão equivocada de onde alocar o seu dinheiro pode levar a uma tragédia financeira e às vezes até familiar. Tem gente vendendo casa e carro para apostar na expectativa de ter um ganho extraordinário e mudar de vida." Impacto na rotina: vidas paralisadas “Muitos casos exigem internação, pois os pacientes não conseguem se afastar das apostas sozinhos. Há uma diminuição da percepção de risco, e o sonho do enriquecimento fácil impede a pessoa de enxergar a realidade. Ninguém ficou milionário com jogo, mas milhares já empobreceram. Elas perdem emprego, casa e família”, afirma Antônio Geraldo. O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria destaca que pessoas diagnosticadas com transtornos compulsivos ligados ao jogo podem desenvolver outros problemas. “Quando alguém tem tendência ao descontrole dos impulsos, pode perder o controle também com álcool e outras drogas. Com as perdas nas apostas, podem surgir quadros de ansiedade e depressão, frequentemente associados a outras dependências”, explica. Segundo ele, o tratamento exige acompanhamento especializado. “O tratamento não é simples. Pode incluir medicamentos aliados à psicoterapia, conduzida por psiquiatras e psicólogos, para ajudar a pessoa a sair dessa situação”, afirma. Há casos tão graves que exigem internação. “É preciso afastar a pessoa do ambiente de apostas. Sem acesso a celular ou computador, que facilitam o jogo, há mais chances de recuperação”, completa Antônio Geraldo. As apostas, que parecem inofensivas, escondem riscos muitas vezes acessíveis a poucos toques na tela do celular. Quem já enfrentou o problema na família alerta para a importância da atenção e do apoio. “A gente fica revoltado com a situação, mas precisa se aproximar deles. Se não, eles se isolam ainda mais no jogo”, aconselha a mãe da jovem diagnosticada com o transtorno. 📲Clique aqui para seguir o canal do g1 Grande Minas no WhatsApp Vídeos do Norte, Centro e Noroeste de MG Veja outras notícias da região em g1 Grande Minas.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/grande-minas/noticia/2025/04/05/vicio-em-bets-e-jogos-de-aposta-online-afetam-familias-mercado-de-trabalho-e-economia.ghtml


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